2 de maio de 2010

Red Shoes e Robot

Neste segundo semestre do curso de um ano de screenwriting da NYFA, quando terminamos de escrever nosso segundo longa metragem e antes de entrarmos nas aulas de revisão de roteiro propriamente dito, a universidade implantou uma semana em que os futuros roteiristas aprendem a escrever para short film*, a manusear a camera, a dirigir e a editar. Tudo isso em uma semana! Eu, particularmente, acredito que a faculdade com isso tem dois objetivos: o primeiro é dar um alívio a mente já cansada da escrita para que esqueçamos um pouco o nosso roteiro que acabamos de escrever e quando formos revisá-lo, a auto-critica seja mais apurada** e, o segundo é de dar um gostinho para nós do outro lado da película e quem sabe, se alguém acreditar que tem talento para a coisa, trabalhar em outra área do cinema. Explicações à parte, agora sinto-me à vontade para aqui, em primeira mão, apresentar para vocês dois destes short films: Red Shoes e Robot. E porque apenas dois, se na minha sala de aula tinham quase dez short films? O primeiro, Red Shoes, eu publico aqui para contar a minha experiência pessoal ao fazê-lo. O segundo, Robot, porque considero um dos melhores short films produzidos de todo o grupo. Aliás, conversando com os alguns colegas de classe, chegamos à essa unanimidade. A opção de não expor as demais películas foi única e exclusivamente minha, uma vez que não gostaria de expor e criticar o trabalho de outros colegas já que isso era um mero exercício para nós e não tinha a intenção de formar nenhum produtor ou diretor de filmes. Assim, não por covardia, mas por conhecer os trabalhos de roteiros deles em sala de aula durante este quase um ano de curso e saber que o resultado final dos filmes não condiz com o verdadeiro talento de cada um, então, preferi pensar que “se não posso gastar meu tempo falando do verdadeiro trabalho deles (que conheço!), não irei desperdiçá-los comentando um exercício que não traduz a essência do profissional que está se formando”. Então, senta que lá vem conversa...

Red Shoes

Red Shoes não era para ser Red Shoes, o roteiro veio por acaso e se criando (ou sendo produzido) no susto e na necessidade de cumprir tal tarefa. E então, nasceu Red Shoes. A primeira idéia, no primeiro dia desta semana de aula, era construi um short film em que uma menina tenta explodir a sua própria escola (essa idéia foi baseada num destes emails de piadas que rola pela Internet). E então, veio a noticia do meu professor “tem que ser um filme mudo, sem diálogos”. Detestei! Minha primeira idéia foi por água abaixo. Mas, beleza, não tinha me sentido derrotada. Sacudi a poeira e comecei a pensar no que seria uma segunda idéia. E então nasceu o que chamei de “7 dias”. A intenção, desta vez, era contar em 7 dias, a história de um velho e seu jovem vizinho, em que o velho através do jardim que cuidava, ensinara para o vizinho seus segredos de vida. O velho morreria na película, mas o vizinho continuaria cuidando do jardim. Então, veio a segunda descoberta: no set que iríamos filmar dentro da Universal era o set de Western, ou seja não tinha jardim e, muito menos velho para atuar. Esqueci a idéia, respirei fundo e pensei num terceiro plano. E daí nasceu Red Shoes em sua primeira versão. Ufa! Já estava ficando cansada... Sim, caros amigos, ser estudante de roteiro não é fácil. A primeira versão de Red Shoes contava a história de uma mulher amargurada que ao se deparar com uma fonte de água e rezar para Deus, sapatos vermelhos cairiam do céu para tentar acalentar o sofrimento dela. Então, assim que experimentava o calçado, ela se tornara uma menina e com a leveza de uma criança, entraria na fonte de água e veria que percalços na vida existem, mas eles podem ser transpostos. No final do filme, ela voltaria a ser a mesma mulher em corpo, mas com a leveza e candura de uma criança em sua alma. Aí, vieram as notícias: não tinha criança no casting de atores*** e a fonte, que supostamente tinha no set, valeria a regra que (eu só saberia no dia da filmagem): quem chegasse na fonte primeiro, filmaria. Ou seja, em outras palavras, se eu quisesse a fonte, mas alguém já tivesse usando, eu não poderia usá-la, teria que escolher outro local do set. Então, naquele momento, eu já tinha clicado o botão do “foda-se” e com todo o planejamento de cenas e roteiro escrito na minha mão, tive que recriar pela “enézima” vez o último roteiro, sabendo e respeitando que: o meu grupo recebera um ator e uma atriz para trabalhar, a fonte já estava ocupada, e teríamos que filmar três curtas em um único dia, tendo um profissional de cinema que a faculdade nos disponibilizou para supostamente nos dar suporte, que além de não tê-lo feito, ficava a cada cinco minutos nos dizendo “falta ‘tantos’ minutos para vocês terminarem a gravação”. Então, em suma, minha mulher virou um homem que mesmo sem a fonte de água****, experimentou a leveza e a candura de ser por alguns instantes: mulher! Fazendo uma auto-crítica do meu trabalho, eu poderia dizer que: a idéia é boa, mas a direção é mediana. O filme começa com diversidade de ângulo de câmera, mas a criatividade do meio para o final é estática. Também não conseguiu tirar o melhor que pode dos atores. A atuação destes ficou a desejar. O ator ainda um pouco melhor, mas a atriz totalmente perdida. A edição (oh! meu Deus) um verdadeiro desastre e a produção ficou a desejar. Enfim, dizem que quem está na chuva é pra se molhar, então, posso dizer que me molhei por completo, fui batizada. E, para falar a verdade, descobri que a minha onda mesmo é escrever, nada além disso... pelo menos por hora! De qualquer forma, mesmo não amando o resultado final, valeu muito à pena este trabalho e, o fato de descobrir que eu estou trilhando o caminho certo, já é tudo de bom. Bem, caros leitores, espero que gostem e se divirtam um pouco.

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Robot

Antes de comentar Robot eu gostaria de deixar claro que Pietro Schito é um jovem roteirista italiano por demais talentoso. Os roteiros dele são impecáveis e quando estamos em classe na leitura de nossos screenplay, ele sempre contribui com brilhantes idéias para os scripts dos outros colegas. E, eu acho que com Robot, particularmente, ele conseguiu uma idéia original e com muito senso de humor. Então, vale à pena conferir, pois eu amei o resultado! Se não tiverem a mesma opinião que a minha, fiquem livres para me escrever e comentar o que acharam....

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* Sim, porque o objetivo do curso não é esse, mas sim escrever para longas!
** Isso é um dos processos da revisão de roteiro.
*** Na NYFA usamos alunos que fazem o curso de interpretação para atuar nos nossos short films.
**** E sem a maioria dos materiais que tinha pedido ao departamento de produção.