20 de abril de 2018

Mais forte que o mundo - A história de José Aldo


A película brasileira "Mais forte que o mundo - A história de José Aldo" (2016) começa com um personagem bem construído, mas depois se perde com exageros e repetições desnecessárias no roteiro, comprometendo o desenvolvimento da narrativa e estrutura dramática. A produção é boa, mas o filme em si não convence. Atenção para a trilha sonora assertiva. Na trama, nascido e criado em Manaus, José Aldo (José Loreto) precisa lidar com a truculência do pai, Seu José (Jackson Antunes), que além de se embebedar constantemente ainda por cima bate na esposa, Rocilene (Cláudia Ohana), com frequência. Enfrentando constantemente seus demônios internos, Aldo encontra na luta sua válvula de escape. Acreditando em seu futuro como lutador, ele aceita se mudar para o Rio de Janeiro e morar de favor no pequeno alojamento de uma academia. Lá ele recebe o apoio do amigo Marcos Loro (Rafinha Bastos) e conhece Vivi (Cleo Pires), uma jovem que vai constantemente à academia. Precisando ralar um bocado para se manter, Aldo enfim consegue um voto de confiança do treinador Dedé Pederneiras (Milhem Cortaz), iniciando assim sua carreira no mundo do MMA. Uma curiosidade: A estreia do filme estava agendada para 14 de janeiro de 2016, mas devido à derrota de José Aldo para Conor McGregor em apenas 13 segundos, em luta realizada em 13 de dezembro de 2015, o lançamento foi adiado.

19 de abril de 2018

Batman: Mask of the Phantasm


A animação "Batman: Mask of the Phantasm" ou "Batman: a máscara do fantasma" (1993) tem um tom nostálgico quer vai do diálogo à direção. Por vezes, o ritmo da história se perde e torna o drama forçado, enfraquecendo, assim, a trama. Na narrativa, Bruce Wayne, o Homem-Morcego, combate o Fantasma, um novo bandido que mata um grande criminoso e faz parecer que o herói encapuçado cometeu o crime, fazendo com que Gotham City se volte contra ele. Além disso, Batman ainda precisa se preocupar em defender a cidade do Coringa, um vilão extremamente perigoso. Curiosidade: Inicialmente, era intenção da Warner lançar a película apenas em vídeo, contudo pouco após o início da produção o estúdio resolveu lançar o filme nos cinemas americanos. Nem precisa dizer que a equipe de produção do filme teve menos de um ano para começar e concluir o filme.

18 de abril de 2018

Vania Pimentel e Sandro Bodilon com Rosely Freire

Foto: Silvio Vargas Mansano

No dia 21 de abril, às 20h, o Centro de Música Brasileira (CMB) apresenta a pianista Vania Pimentel e em seguida canto e piano com Sandro Bodilon e Rosely Freire no Centro Brasileiro Britânico. 

Vania Pimentel interpretará obras de Almeida Prado, Amaral Vieira, Camargo Guarnieri, Ernesto Nazareth, Marlos Nobre, Osvaldo Lacerda e Villa-Lobos. A pianista vive nos Estados Unidos e estudou na Escola Superior de Música de Karlsruhe na Alemanha. Obteve os títulos de Mestre em Performance e Pedagogia, e Doutora em Música pela Universidade de Houston nos Estados Unidos. Foi premiada em vários concursos no Brasil, e na Europa, no 26° Concurso Internacional Jaen na Espanha, e no 6° Concurso internacional J. S. Bach em Paris, com concerto final na famosa Salle Gaveau.

Foto: Divulgação

Sandro Bodilon e Rosely Freire farão homenagem ao poeta Paulo Bomfim interpretando canções com suas obras. O poema "Onde Andará" terá três versões compostas por Raquel Peluso, Camargo Guarnieri e Arnaldo Ribeiro Pinto. Em primeira audição mundial duas obras de Villani-Côrtes e uma de Achille Picchi. Outros compositores do programa serão Ascendino Theodoro Nogueira, Osvaldo Lacerda e Sérgio Vasconcellos Corrêa.

A Sala Cultura Inglesa do Centro Brasileiro Britânico fica na Rua Ferreira de Araújo, 741 - SP. A entrada para as apresentações são gratuitas.

17 de abril de 2018

Balada da Virgem – Em Nome de Deus

Foto: Alex Merino

O coreógrafo, diretor e bailarino Sandro Borelli investiga a figura emblemática da heroína francesa Joana D’Arc em "Balada da Virgem – Em Nome de Deus". O espetáculo estreia no Kasulo Espaço de Arte e Cultura no dia 19 de abril, e segue em cartaz até 20 de maio.
Por volta de 1412, surgia a figura mítica de uma camponesa pobre, analfabeta e religiosa que, sob o comando de mensageiros dos céus, como afirmava, comandou as tropas francesas na Guerra dos 100 anos, lutando pela libertação da França contra o domínio da Inglaterra. Joana D’Arc foi capturada e condenada à fogueira em 1431 por heresia, e acabou se tornando santa da igreja católica e padroeira da França quase 500 anos depois de sua morte.
O novo espetáculo da Cia. Carne Agonizante se alimenta da força física, espiritual e das contradições políticas e religiosas contidas na personalidade dessa mulher. As dores, angústias, perturbações e inabalável crença dela foram transformadas em forma de uma tensão física permanente. E, por meio da dança, o bailarino traz para a cena sua energia revolucionária movida pela fé em nome de uma causa.
“Balada da virgem nada mais é do que a necessidade constante de me autodesafiar na busca por novas possibilidades coreográficas. Neste universo, as noções de tempo e espaço se apresentam completamente alteradas, portanto, o real e o não real podem se confundir a ponto de desencadear um outro olhar, uma outra ética, um outro modo de vivenciar uma criação, apoiando-se na potente energia simbólica que D’Arc representa”, explica Borelli.
O Kasulo Espaço de Arte e Cultura fica na Rua Sousa Lima, 300 - SP. As apresentações serão de quinta a sábado, às 21h; e aos domingos, às 19h. Os ingressos: Um quilo de alimento não perecível. Reservas antecipadas pelo APP Cia Carne Agonizante disponível no Google Play e Apple Store.

16 de abril de 2018

Os Corumbas


Há uma empatia humanitária nas entrelinhas do livro "Os Corumbas", de Armando Fontes. A escrita forte e desenvolta prende a atenção do leitor do inicio ao fim. Tecnicamente é um romance bem estruturado. Os personagens são expostos de todas as formas e em todas as nuances possíveis. A literatura é realista.

Publicado em 1933, a história da família Corumba tem seu início dois anos antes da terrível seca de 1905. Neste período, o sertão do Nordeste vive sob tensa expectativa. Trata-se de um romance pioneiro sob muitos aspectos, inclusive pela abordagem de um tema urbano na literatura do Nordeste. Na narrativa, o camponês da seca encontra sua derrocada final no mundo industrial da cidade.

Uma belíssima e irresistível obra!

13 de abril de 2018

Podwojne zycie Weroniki


O drama polonês/ francês "Podwojne zycie Weroniki" ou "A dupla vida de Véronique" (1991) tem uma história sutil e ao mesmo tempo corajosa em sua concepção. Os diálogos são econômicos, mas efetivos. A direção de arte é harmoniosa e a fotografia aconchegante. Não podemos deixar de notar na bela interpretação de Irène Jacob. Na narrativa, duas mulheres de 20 anos moram muito longe, mas parecem estranhamente estarem conectadas. Weronika é polonesa e sonha em entrar para uma academia de música, e quando ela finalmente consegue a vaga, ela morre na sua primeira apresentação. A partir desse momento, Véronique, que é francesa e mora em Paris, decide largar as aulas de música e acaba por se envolver com um manejador de marionetes.

12 de abril de 2018

Amor Barato – O Romeu e Julieta dos esgotos

Foto: João Caldas Filho

Tudo vai mal. Tudo. Mas mesmo da lama pode surgir um grande amor, capaz de fazer respirar um mundo carregado de intrigas, intolerância e brigas por pequenos (e grandes) poderes. Esse é o ponto de partida do musical "Amor Barato – O Romeu e Julieta dos esgotos", que estreia dia 19 de abril, misturando referências reais, fábulas tradicionais e histórias de amor clássicas para cantar o improvável romance entre Dona e Dom, seres tão estranhos quanto o mundo em que vivem. O espetáculo estreia no Teatro Itália, onde cumpre temporada às quartas e quintas-feiras, sempre às 21h, até 31 de maio.

Com dramaturgia de Fábio Espírito Santo e trilha original assinada por Jarbas Bittencourt e Ronei Jorge, a montagem traz seis atores e atrizes em cena, dando voz e corpo a dezenas de personagens criados para narrar e viver as aventuras de um amor impossível, famílias rivais e um desfecho trágico. A história infantil “O casamento da Dona Baratinha” é uma das referências de Amor Barato. Mas não é a única; a trama namora também com “Romeu e Julieta”, de William Shakespeare, e outras histórias clássicas de amor. Tudo recheado com uma pitada generosa de referências reais dos noticiários diários, que transformam a história de amor entre um rato e uma barata nos esgotos de uma metrópole num musical adulto e absolutamente atual.

Na trama, Dona (Aline Machado) é uma jovem com sérios conflitos com seu pai, Dr. Barata (Eric de Oliveira), um empresário da comunicação. Ela se apaixona por Dom (Pietro Leal), um jovem playboy inconsequente, fruto do casamento fracassado de Madame (Adriana Capparelli) e o corrupto Senador (Beto Mettig). Frutos de famílias diferentes e rivais, Dona e Dom vivem, sob o olhar irônico da Narradora (Thaís Dias), uma intensa paixão, apesar de toda adversidade presente nos subterrâneos do poder.

Para criar a música do espetáculo, os compositores partiram do texto de Fábio Espírito Santo com o desafio de preservar a potência dramatúrgica e poética já contida na obra original. O conceito de gênero musical expandido abre espaço para aproximações estéticas composicionais amplas. “Não há na música de Amor Barato um limite muito claro entre o radiofônico e o experimental, entre o clube e a sala de concerto”, comenta Jarbas, que faz questão de valorizar as referências usadas na obra, que vão da vanguarda paulista, representada por Itamar Assumpção e Arrigo Barnabé, a operetas, música dodecafônica e atonal, passando ainda pela obra de Tom Zé e pelo teatro alemão do século 20, como o clássico “A Ópera dos Três Vinténs”, de Bertolt Brecht e Kurt Weill.

O Teatro Itália fica na Av. Ipiranga, 344, próximo ao Metrô República - SP.

11 de abril de 2018

Extinção

Foto: Leekyung Kim

Baseado no livro homônimo do austríaco Thomas Bernhard, o espetáculo solo com Denise Stoklos, "Extinção", apresenta uma obra demolidora dos valores conservadores da sociedade que limitam os espaços de exercício de liberdade e amor. A temporada acontece no Teatro Anchieta, Sesc Consolação, de 13 de abril a 20 de maio. A direção é de Denise Stoklos, Francisco Medeiros e Marcio Aurelio.

"Extinção" apresenta textos de Denise Stoklos que os interpreta referindo-se ao ritmo vertiginoso, reiterativo, cruel e veemente do livro. “Isso leva à cena a proposta do autor de extinção dos pilares da sociedade capitalista: à família fechada, ao implícito egocentrismo do neoliberalismo, as demagogias de todos os lados muitas vezes até dos movimentos e das redes sociais em sua mistificação de valores, a pretensa solidariedade que é questionável quando há estratificação de classes sociais, o racismo instalado mas com todos os disfarces, a intolerância a todas às diferenças”, conta Denise.

O Teatro Anchieta fica na Rua Doutor Vila Nova, 245 e as apresentações acontecem todas às sexta e sábado, 21h. Domingos, 18h.

10 de abril de 2018

O Arquiteto e o Imperador da Assíria

Foto: Felco

O espetáculo "O Arquiteto e o Imperador da Assíria", de Fernando Arrabal, estreia no dia 13 de abril, no Teatro Jaraguá e segue em cartaz até 1º de julho.
A trama se passa em uma ilha deserta onde vive apenas o Arquiteto. Certo dia, depois de ouvir uma explosão do lado de fora de sua cabana, ele encontra o único sobrevivente de um acidente de avião, que diz ser o Imperador da Assíria. Depois de anos de uma convivência claustrofóbica, os dois vivem uma maratona de emoções: ora se desafiam, ora se solidarizam com a situação do outro.
Segundo o diretor, Léo Stefanini, o texto de Arrabal traz uma comicidade que os artistas buscaram preservar ao máximo, sem infantilizar o espectador. Algumas das referências da encenação, além da obra de Samuel Beckett, são as linguagens do grupo inglês Monty Python, dos filmes do americano Buster Keaton, do seriado brasileiro TV Pirata e da peça “O Mistério de Irma Vap”, do americano Charles Ludlam.
O Teatro Jaraguá fica na Rua Martins Fontes, 71 - Centro - SP. O espetáculo se apresentará todas às sextas, às 21h; aos sábados, às 21h; e aos domingos, às 19h.

9 de abril de 2018

Biografia do branco


Parte da Coleção Aquarela, "Biografia do branco", de Gilda Meirelles, tem o intuito de educar. O livro é um misto de texto e estética visual. O texto é divertido. O visual tira o leitor do trivial. No conteúdo, a descoberta da cor branca. Lidamos com a cor sem percebermos a influência cotidiana que cada uma exerce em nossas vidas. Mas através da poesia podemos despertar para os infinitos matizes que nos rodeiam. Os temas abordados são correlatos aos usos e simbolismos atribuídos à cor branca. Além de educar, diverte!

6 de abril de 2018

Hidden Figures


A película "Hidden Figures" ou "Estrelas além do tempo" (2016) é imperdível e tenho bons elementos para basear o que digo. Começamos logo pelas excelentes interpretações de Taraji P. Henson, Octavia Spencer e Janelle Monáe. Além disso, a produção em seus detalhes e figurinos são deveras assertivos. No roteiro, há uma admirável construção de personagens em poucos minutos de película. A narrativa é bem estruturada e seus personagens, encantadores, diria, conectam e prendem a audiência do inicio ao fim da película. No drama que acontece em 1961, em plena Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética disputam a supremacia na corrida espacial ao mesmo tempo em que a sociedade norte-americana lida com uma profunda cisão racial, entre brancos e negros. Tal situação é refletida também na NASA, onde um grupo de funcionárias negras é obrigada a trabalhar a parte. É lá que estão Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe), grandes amigas que, além de provar sua competência dia após dia, precisam lidar com o preconceito arraigado para que consigam ascender na hierarquia da NASA. Um luxo de plot! Ah! E antes que eu me esqueça, a história é baseada em fatos reais.


5 de abril de 2018

Olfato

Foto: Mozart Gomez

Com uma comedia crítica que flerta com o grotesco, a Cia do Escombro chega com seu mais novo trabalho: "Olfato". O espetáculo estreia dia 7 de abril, às 20h no Teatro de Container da Cia. Mungunzá. 
Na trama, enquanto um importante evento político é transmitido pela televisão, uma mulher, juntamente com a babá e um recém-nascido, vai até um encontro extraconjugal em um sobrado, onde um homem e o seu amigo a esperam.
A inspiração da peça veio de dois cruzamentos: de um lado, a arena privada onde os interesses pessoais, aparentemente subjetivos, refletem também a realidade político-ideológica de seu entorno e, de outro, a votação do processo de impeachment de Dilma Rousseff, o que polarizou radicalmente o país.

A dramaturga Teresa Borges falou sobre o processo de construção do texto. “O espetáculo se relaciona com a dinâmica da transmissão televisiva e o seu papel na articulação do processo de impeachment e na formação de opinião. Isso como primeira instância. Na segunda camada, a dramaturgia tenta trabalhar a transposição de uma moral política para uma moral das relações privadas. Os personagens aparentemente não têm relação nenhuma com que estão assistindo, porém, reproduzem e aplicam estratégias, táticas, negociações e artimanhas que são desenvolvidos nas instâncias políticas”.

Teatro Container da Cia. Mungunzá fica na Rua dos Gusmões, 43 - Santa Efigênia - SP. A temporada acontece de 7 a 30 de abril. Sábados, domingos e segundas-feiras, sempre às 20h.

4 de abril de 2018

A ira de Narciso

Foto: Celso Curi

O monólogo autoficcional "A Ira de Narciso", de Sergio Blanco, ganha sua primeira versão brasileira, com direção de Yara de Novaes. O espetáculo estreia dia 11 de abril no Sesc Pinheiros.
“Enlouqueci com a qualidade da montagem e especialmente do texto. Entrei em contato com o Sergio Blanco imediatamente e falei do meu desejo de traduzi-lo e comprar os direitos de montagem para o Brasil. Mostrei o texto para o Gilberto Gawronski – de quem sou fã e amigo – e ficamos um bom tempo enamorados pelo texto, discutindo a obra como se fizéssemos parte de uma seita”, comenta o idealizador da peça.
A narrativa em primeira pessoa é inspirada na visita do autor à cidade de Liubliana, na Eslovênia, onde ele foi convidado a ministrar uma palestra sobre o famoso mito de Narciso. A história se passa no quarto de hotel nº 228, onde o escritor narra os últimos preparativos para essa conferência, enquanto tenta desvendar uma misteriosa mancha de sangue no tapete e encontra-se com um jovem esloveno que acabou de conhecer.
Seguindo a linha de auto-ficção de Sergio Blanco, "A ira de Narciso" é um monólogo que relata a estadia do autor na cidade de Ljubljana, onde se dará uma palestra sobre o mito de Narciso. Alternando sutilmente narração, palestra e confissão, a peça conduz o espectador em um labirinto do eu mesmo, da linguagem e do tempo.
O Sesc Pinheiros fica na Rua Paes Leme, 195 e as apresentações serão de terça a sábado das 10h às 21h. Domingos e feriados das 10h às 18h.

3 de abril de 2018

Pedaço de mim

Foto: Adriana Fontana e Renata Fontana

"Pedaço de mim" volta em cartaz no Teatro Augusta a partir do dia 7 de abril. O espetáculo discute a relação entre dor, prazer e autodestruição a partir das divagações de uma mulher com Transtorno Borderline. Para pessoas com esse tipo de transtorno psiquiátrico, as consequências dessa relação podem ser ainda mais perigosas, pois elas vivem em uma constante variação de emoções opostas e, por isso, costumam tomar atitudes impulsivas e radicais. 
Na sinopse, uma mulher que teve uma de suas pernas amputada, conversa com o público sobre questões de seu cotidiano. Ela só encontra alívio para sua dor emocional por meio da dor física. A dramaturgia adota esse transtorno psiquiátrico para criar uma reflexão sobre os movimentos autodestrutivos e autopunitivos do ser humano em diferentes níveis, da automutilação dos distúrbios psiquiátricos às situações comuns praticadas por todos nós.
O espetáculo ficará no Teatro Augusta que fica na Rua Augusta, 943 - Cerqueira César até o dia 10 de junho, aos sábados, às 21h; e aos domingos, às 19h.

2 de abril de 2018

O poeta que não sou


O livro "O poeta que não sou", de Lindolfo Paoliello, faz a poesia passear pelo livro inteiro, mesmo não sendo um livro de poesias. As cronicas falam do cotidiano com competência e ritmo de leitura. Aliás, diga-se, uma leitura que flui sem tombos. 

Por vezes é romântico, lírico e poético. O jornalista mineiro revela em sua escrita tons fortes e um texto marcadamente político e crítico. Os personagens são os mais diversos: cigana, pai, mulheres. Os ambientes desse cotidiano perambula do sonho ao circo, da praia ao quintal, do Natal à balada. Uma leitura fácil, mas desafiadora. Para quem gosta da boa escrita, aqui está uma boa dica!

30 de março de 2018

L'homme de chevet


Quer assistir a um belíssimo filme? O francês "L'homme de chevet" ou "Cartagena" (2009) é um deles. Os personagens são fortes e tem dilemas verossímeis. As sutilezas nos diálogos vão costurando uma narrativa coerente e encantadora. Há uma bela construção de personagens e mundo. O desenvolvimento da história é coesivo e tem crescentes conflitos e resoluções. A fotografia é ordinária. As interpretações aproximam a audiência do drama. Na narrativa, após um terrível acidente, Muriel decide nunca mais sair de casa. Leo, um ex-boxeador sem sorte é contratado para cuidar dela. Pouco a pouco, ele lhe ensina a redescobrir o lado bom da vida e o amor.

29 de março de 2018

Maurício Einhorn - 80 Anos de Gaita

Foto: Divulgação

De 13 a 15 de abril acontece o show "Maurício Einhorn - 80 Anos de Gaita", com entrada franca. Considerado o maior gaitista brasileiro, o genial Einhorn – no auge de seus 85 anos – comemora oito décadas dedicadas à gaita com show autoral. O músico apresenta-se acompanhado por Alberto Chimelli (teclados), Luis Alves (baixo acústico) e João Cortez (bateria). Antes da apresentação do dia 14 de abril, haverá exibição, às 18h, do documentário "Mauricio Einhorn – Estamos Aí", dirigido por Rodolfo Novaes, sobre a vida e obra do artista.

O harmonicista é tido também como um dos melhores do mundo, tendo tocado com artistas do naipe de Sarah Vaughan, Nina Simone e Herbie Mann, entre outros. Com presença marcante no movimento bossa nova, ele compôs os clássicos "Batida Diferente" (com Durval Ferreira), "Tristeza de Nós Dois" (com D. Ferreira e Bebeto), "Estamos Aí" (com D. Ferreira e Regina Werneck) e "Alvorada" (com Arnaldo Costa e Lula Freire).

Formou com o violonista/guitarrista Hélio Delmiro e o baixista Arismar do Espírito Santo um trio dos mais requisitados nas noites cariocas, além de ter músicas gravadas no Brasil e no exterior por Tom Jobim, Leny Andrade, Herbie Mann, Paquito d’Rivera, David Fathead, Newman, Lino Nebbin, Cannonball Adderley e outros. Entre seus principais parceiros destacam-se Johnny Alf, Eumir Deodato, Sebastião Tapajós, Durval Ferreira, Arnaldo Costa, Alberto Arantes, Bebeto, Marco Versiani, Alberto Chimeli e José de Alencar Schettini.

O repertório do show é formado por composições próprias: “Já Era” (parceria com Eumir Deodato); “Valsa para Marina”, “Conexão Leme”, “Te Olhei” e “Chorinho Carioca” (parcerias com Alberto Chimelli); “Modd”, “Artimanhas”, “Travessuras” e “Conexões” (parcerias com Alberto Araújo); “Acalanto” e “Please Could You Play Again” (com Lars Bo Enselmann); “São Conrado” (com Carlos Alberto Pingarilho), “Ao Amor” (com José Schettini); “Tema de Amor” (com Sebastião Tapajós); e “Tristeza de Nós Dois” (com Durval Ferreira e Bebeto Castilho).

O espetáculo acontece de sexta a domingo, às 19h15. No dia 14 de abril, por conta da exibição do documentário "Mauricio Einhorn – Estamos Aí", o evento se iniciará às 18h. A CAIXA Cultural São Paulo fica na Praça da Sé, 111 - Centro - SP. O show é gratuito!

28 de março de 2018

Forushande


A história do drama francês "Forushande" ou "O apartamento" (2016) é interessante e surpreende. A película tem personagens plurais e verossímeis. Além disso, conta com bons plots e uma bela ideia original. A direção é justa. A trilha sonora é assertiva. Na narrativa, Emad (Shahab Hosseini) e Rana (Taraneh Alidoosti) são casados e encenam a montagem da peça teatral "A Morte de um Caixeiro Viajante", de Arthur Miller. Um dia, eles são surpreendidos com o alerta para que eles e todos os moradores do prédio em que vivem deixem o local imediatamente. O problema é que, devido a uma obra próxima, todo o prédio corre o risco de desabamento. Diante deste problema, Emad e Rana passam a morar, provisoriamente, em um apartamento emprestado. É lá que Rana é surpreendida com a entrada de um estranho no banheiro, justamente quando está tomando banho. O susto faz com que ela se machuque seriamente e vá parar no hospital. Entretanto, é o trauma do ocorrido que afeta, cada vez mais, suas vidas. O filme foi um recorde de bilheteria no Irã. Durante a produção inicial, Asghar Farhadi postou um anúncio em um site de mídias sociais pedindo para que as pessoas enviassem audições em vídeo de si mesmas. Milhares de iranianos atenderam ao pedido na esperança de aparecer no filme do diretor. Um filme que vale à pena assistir!



27 de março de 2018

The Boss Baby


Com ideia original pra lá de criativa, "The Boss Baby" ou "O poderoso chefinho" (2017) tem também uma direção assertiva. A animação tem personagens encantadores, engraçados e inventivos. A história é bem desenvolvida, conta com bons diálogos e boas pistas e recompensas. O humor é na medida apropriada. Na narrativa, um bebê falante que usa terno e carrega uma maleta misteriosa une forças com seu irmão mais velho invejoso para impedir que um inescrupuloso CEO acabe com o amor no mundo. A missão é salvar os pais, impedir a catástrofe e provar que o mais intenso dos sentimentos é uma poderosa força. Uma curiosidade: Quando o Poderoso Chefinho diz "Cookies are for closers" (Os biscoitos são para os mais chegados), ele faz uma referência à famosa frase de Alec Baldwin em "O Sucesso a qualquer preço" em que ele dizia "Coffee is for closers!" (O café é para os mais chegados).


26 de março de 2018

Auto da Compadecida


Mesmo em sua simplicidade, a escrita do texto teatral "Auto da Compadecida", de Ariano Suassuna, tem requinte e brilhantismo. Com um humor imprescindível, a obra retrata histórias populares do Nordeste com ingenuidade e encanto. A cada página é impossível o leitor não se dar prazer ao riso. Digo e afirmo: um riso arguto. A peça teve sua primeira encenação em 1956, em Recife. Nas entrelinhas, há de se falar um pouco de tudo: sobre a moral, subserviência, julgamento, discussões teológicas, materialismo, discriminação, preconceito, misérias e fraquezas. O diálogo é eminente.

Na história, a peça é narrada pelo palhaço. Chicó e João Grilo tentam convencer o padre a benzer o cachorro de sua patroa, a mulher do padeiro. Como o padre se nega a benzer e o cachorro morre, o padeiro e sua esposa exigem que o padre faça o enterro do animal. João Grilo diz ao padre que o cachorro tinha um testamento e que lhe deixara dez contos de réis e três para o sacristão, caso rezassem o enterro em latim. Quando o bispo descobre, Grilo inventa que, na verdade, seis contos iriam para a arquidiocese e apenas quatro para paróquia, para que o bispo não arrumasse problemas. A partir daí, João Grilo se aproveita das situações sempre a seu favor e Chicó se revela um covarde e mentiroso. 

A história é repleta de peripécias, como o enterro do cachorro, o instrumento capaz de ressuscitar mortos e o gato que “descome” dinheiro. Uma verdadeira sátira aos poderosos que critica a hipocrisia presente na sociedade através do tipos como o Padre, o Major, o Padeiro, etc. 

Uma leitura apaixonante que recomendo!

23 de março de 2018

Duo Mosaico e Duo Flutuart

Foto: Letícia Lima

No dia 24 de março, às 20h, acontece a abertura da Temporada 2018 do Centro de Música Brasileira (CMB) com duas apresentações no Centro Brasileiro Britânico. O primeiro a tocar é o Duo Mosaico, canto e violão, com Ana Carolina Sacco e Bruno Madeira. Depois o Duo Flutuart (foto) tem flauta e piano com Paula Pascheto e Deise Hattum. 

O Duo Mosaico vai interpretar canções com poemas de Castro Alves, Cecília Meireles, Fernando Pessoa, Guilherme de Almeida, Henry Murger, Ribeiro Couto, Vinícius de Moraes e Walter Mariani.

O Duo Flutuart tocará Chiquinha Gonzaga passando pela vida da artista fazendo um paralelo com a sua música. São três fases da artista nomeadas pelos músicos como A Feminista, Chiquinha e Callado, Abolicionista. São obras que escolhidas traduzem a vida e a obra da artista através de seu contexto biográfico.

As apresentações são gratuitas e a Sala Cultura Inglesa do Centro Brasileiro Britânico fica na Rua Ferreira de Araújo, 741 - Pinheiros, em São Paulo.

22 de março de 2018

Histórias de Alexandre

Foto: Divulgação

O infantojuvenil "Histórias de Alexandre" reestreia no dia 24 de março no Teatro João Caetano para uma breve temporada que vai até o dia 15 de abril, sempre aos sábados e domingos, às 16 horas. Concebida a partir da obra de Graciliano Ramos, a montagem tem direção de Cristiane Paoli Quito.

Histórias e fanfarronices de um típico mentiroso do sertão estão nessa encenação, permeada por canções originais. Publicado em 1944 por Graciliano, o livro reúne contos coletados na cultura oral do folclore nordestino, resgatando crenças, costumes e mitos da região. Na transposição para o palco, foram selecionadas algumas histórias, mantendo na íntegra as palavras do autor.

Na pequena sala de Alexandre os amigos se reúnem para ouvir suas aventuras e façanhas, sempre narradas com exagero e entusiasmo. Sua mulher, Cesária, acompanha tudo de perto e nunca deixa o marido perder o fio da meada. Alexandre é um homem já velho, tem um olho torto e fala bonito: um típico contador de histórias. Está sempre acompanhado pelos moradores das redondezas e até por pessoas de consideração que vêm à sua modesta casa para ouvir suas narrativas “fanhosas”: Seu Libório, cantador de emboladas; o cego preto Firmino; mestre Gaudêncio Curandeiro, que reza contra mordedura de cobras; e Das Dores, benzedeira de quebranto. Cesária, mulher de Alexandre, está sempre por perto, e pronta para socorrer o marido quando ele se “engancha” ou é questionado em suas narrativas.

A diretora fala da importância da apropriação das palavras pelos atores no processo criativo, já que o texto foi escrito há mais de 70 anos, com um vocabulário distinto do atual: “é fundamental que as histórias sejam compreendidas por todas as crianças e adolescentes, por isso as experimentações que fizemos com presença de público foram tão importantes para encontramos o caminho da encenação”, explica Cristiane Paoli Quito.

Teatro João Caetano fica na Rua Borges Lagoa, 650 - Vila Clementina, em São Paulo.

21 de março de 2018

Sutura

Foto: Bruno Favery

Do escocês Anthony Neilson, "Sutura" estreia dia 23 de março no porão do CCSP com direção de César Baptista. Com Anna Cecília Junqueira e Ivo Müller no elenco, a peça discute, de forma ácida e inteligente temas como amor, hipocrisia, busca por felicidade, micro poder nas inter-relações e a precariedade da natureza humana.

“Agora, para quê montar um texto de um dramaturgo escocês, em São Paulo, hoje? Entendemos que o texto Sutura está naquele rol de textos que provocam e surpreendem a plateia, porque leva a crer que a história vai se desenrolar por um lado, quando na verdade vai por outro. Como o próprio autor já disse a propósito da estreia de uma de suas peças, ‘Você está sentado confortavelmente? Bem, não por muito tempo.’”, comenta o diretor César Baptista.

Na sinopse, a notícia de um fato importante intensifica a dinâmica já estabelecida de um casal que tenta começar a reorganizar sua vida. Na tentativa de reconstruir essa história de amor, o terreno se revela movediço: encontros, desencontros, desejos, sonhos, ficção e realidade atravessam a relação desse casal, com ternura e brutalidade, abrindo um corte que expõe suas precariedades e os limites de sua natureza.

O drama fica em cartaz até o dia 29 de abril no CCSP que fica na Rua Vergueiro, 1000 - SP. A temporada se apresenta todas as sextas e sábados às 21h e domingos às 20h.

20 de março de 2018

Love Love Love

Foto: Leekyung Kim

Após 12 indicações a prêmios na temporada carioca, o espetáculo "Love Love Love" chega a São Paulo no Teatro Vivo para temporada de 23 de março a 27 de maio. O texto é de Mike Bartlett. Autor é contundente com o momento em que vivemos, é profundo e provocador ao mesmo tempo que tem uma escrita clara e objetiva. A peça rendeu 7 prêmios. “O texto conta a história de uma família bem peculiar, mas está tratando do conflito geracional mais atual que poderia ser. É um texto político e também psicológico. É tudo junto como costumam ser as grandes obras”, reflete Yara de Novaes, atriz e uma das protagonistas do espetáculo.

Além de descrever uma família com todas as suas idiossincrasias e personalidades, a obra demonstra como somos modificados pelo tempo em que vivemos. A ação começa em 1967, na noite da primeira transmissão ao vivo de TV via satélite, em que os Beatles cantaram 
All You Need Is Love. Sandra, bonita e sedutora, recém-ingressada na universidade, marcou um encontro com Henry. Mas ela se interessa por seu irmão mais novo, Kenneth, também de 19 anos e calouro universitário. Em 1990, eles estão confortavelmente em outra realidade: são da classe média, curiosamente negligentes com os dois filhos, em um casamento prestes a ruir. Mas o grande momento é o último ato, em 2011, em uma reunião de família, quando a filha do casal, Rose, que foi uma violinista promissora, agora com 37 anos e muito decepcionada, arremessa sobre eles e sua geração de paz e amor a responsabilidade pelo fracasso da geração dela afirmando: “Você não alterou o mundo, você o comprou”.

O espetáculo se apresenta no Teatro Vivo que fica na Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460 - Vila Cordeiro - SP. A temporada tem suas sessões todas às sextas-feiras, às 20h; aos sábados, às 21h; e aos domingos, às 18h.

19 de março de 2018

O menino detrás das nuvens


No livro "O menino detrás das nuvens", de Carlos Alberto Nazareth, há três contos sobre histórias de meninos que usa imaginação e certa nostalgia. Bem escrito, o autor brinca com as ferramentas da literatura. Há certa sonoridade e diversão nas entrelinhas, contudo, fica numa zona de conforto literária, sem trazer grandes novidades. O livro poderia ter mais ilustrações em sua totalidade, já que as poucas que foram feitas dialoga com o texto de forma visual e criativa. Talvez este seja o ponto fraco da obra nesta edição. Sem colocar o estilo à frente da trama, a história se conta mansamente, num tempo ideal de reconhecimento e conquista. Assim como fazem os novos amigos ao se conhecerem. Na história, os meninos, o detrás das nuvens, o do circo e dos morros, cada um do seu jeito, pegam o leitor pela mão para, juntos, se arriscarem no caminho da descoberta.

16 de março de 2018

Guardians Of The Galaxy


Com cenas criativas e pitadas de humor, a película "Guardians Of The Galaxy" ou "Guardiões da Galáxia" (2014) é repleto de efeitos especiais. A história em si é rasa, mas cumpre o objetivo do gênero. O roteiro tem muita ação e imprime um ritmo frenético. Em termos de produção, não podemos deixar de notar a diversidade criativa na composição dos personagens e criaturas que habitam o espaço, seja pelo figurino ou caracterização. Na narrativa, Peter Quill (Chris Pratt) foi abduzido da Terra quando ainda era criança. Adulto, fez carreira como saqueador e ganhou o nome de Senhor das Estrelas. Quando rouba uma esfera, na qual o poderoso vilão Ronan, da raça kree, está interessado, passa a ser procurado por vários caçadores de recompensas. Para escapar do perigo, Quill une forças com quatro personagens fora do sistema: Groot, uma árvore humanóide (Vin Diesel), a sombria e perigosa Gamora (Zoe Saldana), o guaxinim rápido no gatilho Rocket Racoon (Bradley Cooper) e o vingativo Drax, o Destruidor (Dave Bautista). Mas o Senhor das Estrelas descobre que a esfera roubada possui um poder capaz de mudar os rumos do universo, e logo o grupo deverá proteger o objeto para salvar o futuro da galáxia. Duas curiosidades: Zoe Saldana quase quebrou as costelas de Chris Pratt durante a gravação de uma cena de luta. Durante o treinamento, eles usavam equipamentos de proteção, para que pudessem bater um no outro de verdade. No dia de filmar a cena, Pratt se esqueceu de vestir o equipamento de proteção e também decidiu não contar a Saldana, achando que ela pudesse bater mais fraco, o que tornaria a luta menos crível. Saldana, em seu personagem, deu-lhe um chute nas costelas que, simplesmente, levou Pratt à lona. O golpe certeiro rendeu ao ator uma contusão para o restante das filmagens. A outra curiosidade veio de Djimon Hounsou declarou que conseguiu o papel de Korath graças a seu filho: "Eu tenho um filho que ama super-heróis. Um dia ele olhou para mim e disse 'Pai, eu quero ter a pele clara, assim eu posso ser o Homem-Aranha. Ele tem a pele clara.’ Isso foi um choque pra mim.”

15 de março de 2018

Ador-Ador

Foto: André Stefano

Resultado de uma investigação cênica sobre relacionamentos abusivos, "Ador-Ador" estreia no dia 16 de março. A peça dirigida por Anderson Claudir é baseada no Teatro Performativo e foi criada a partir de um experimento cênico.

“Ao estudarmos o Butoh, queríamos mostrar como as distorções naturalizadas na sociedade machista traz deformações aos "corpos sociais". As cenas ajudam o público a formar imagens – mais do que contam uma história – para que ele possa estranhar aquela forma de violência. Essas sensações permitem ao espectador se colocar no lugar do outro, como o faz o feminismo”, comenta o diretor.

Na narrativa, "Ador-Ador" evidencia estruturas violentas da sociedade patriarcal que afetam os relacionamentos heteronormativos. O espetáculo questiona a existência do amor sem opressão, as construções de gênero e as fórmulas prontas para cada fase de uma relação amorosa, do primeiro encontro ao término de um casamento. As diferentes formas de violência sofridas pelas mulheres, das mais sutis às mais evidentes, são resultado da educação machista à qual todos estão submetidos.

O espetáculo ficará em cartaz na SP Escola de Teatro – Sede Roosevelt – Sala R8 que fica na Praça Roosevelt, 210 – Centro - SP. A Temporada vai até o dia 2 de abril, às sextas, sábados e às segundas, às 21h; e aos domingos, às 19h.

14 de março de 2018

Quarenta e Duas

Foto: Cacá Bernardes

Com texto de Camila Damasceno, o espetáculo "Quarenta e Duas" estreia no dia 23 de março, às 21h na SP Escola de Teatro com direção conjunta de Daniel Ortega e Emerson Rossini. O enredo aborda, de forma onírica, desde temas como a opressão do consumo à busca permanente do gozo como sinônimo de felicidade.

A encenação se dá a partir da perspectiva dos últimos momentos de vida de Robson, um adolescente compulsivo que morre após se masturbar 42 vezes. O mundo particular desse garoto é apresentado com suas idiossincrasias e seus desejos tão comuns quanto absurdos, convidando o público a adentrar nos conflitos de uma geração bombardeada por links, likes e imagens editadas.

Em ritmos de zapping, flashes de memória e imagens da vida de Robson vão expondo questões contemporâneas pelo viés desse adolescente. A relação com o pai ausente, as expectativas idealizadas da mãe, a relação com os padrões sociais e religiosos, o peso de ter que se encaixar em regras, os impulsos primários dos desejos e a solidão nas relações virtuais são como quadros que se alternam no subconsciente de Robson, transbordando tudo que lhe oprime, que lhe consome.

Para trazer ao palco as reflexões levantadas no texto, os diretores fazem uso da linguagem da performance ao abordar o universo onírico que conduz a trajetória da personagem. A encenação não se propõe a responder as questões, mas ressaltar a relevância dos temas no contexto atual, quando a agilidade da informação e o descarte humano ocupam lugar de destaque no frenesi urbano. A distorção do tempo e a sobreposição de símbolos permitem que o espectador amplie sua percepção diante da cena e da poesia nesses momentos finais de Robson.

As apresentações do espetáculo acontece todas às sextas, sábados e segundas (às 21h) e domingos (às 19h) na SP Escola de Teatro (Sala R1) que fica na Praça Franklin Roosevelt, 210 - Consolação - SP.