25 de maio de 2018

Elle s'appelait Sarah


O drama francês "Elle s'appelait Sarah" ou "A chave de Sarah" (2011) toca o sentimento do espectador pela simplicidade no contar uma história forte, mas ao mesmo tempo com certa doçura em suas descobertas. Os personagens são ricos em toda sua composição. A trilha sonora é linda. A produção e figuração são assertivas. O final surpreende. A narrativa acontece em 1942, durante a ocupação alemã na França, na 2ª Guerra Mundial. Sarah Starzynski (Mélusine Mayance) é uma jovem judia que vive em Paris com os pais (Natasha Mashkevich e Arben Bajraktaraj) e o irmão caçula Michel (Paul Mercier). Eles são expulsos do apartamento em que vivem por soldados nazistas, que os levam até um campo de concentração. Na intenção de salvar Michel, Sarah o tranca dentro de um armário escondido na parede de seu quarto e pede que ele não saia de lá até que ela retorne. A situação faz com que Sarah tente a todo custo retornar para casa, no intuito de salvá-lo. Décadas depois, a jornalista Julia Jarmond (Kristin Scott Thomas) é encarregada de preparar uma reportagem sobre o período em que Paris esteve dominada pelos nazistas. Ao investigar sobre o assunto, encontra um elo entre sua família e a história de Sarah. A película é envolvente e delicada, vale muito à pena assistir. O filme foi exibido na mostra Panorama do Cinema Mundial, no Festival do Rio 2011.

24 de maio de 2018

Tot Ziens


O premiado "Tot Ziens" ou "Goodbye" (1995) é um drama com bons elementos criativos. Os personagens são complexos e verossímeis. Há bons diálogos. A direção é assertiva. Na trama, Jan é um homem casado, e Laura é solteira. Eles simplesmente não podem ficar juntos, mas tampouco podem ficar separados. O homem luta entre seus dois amores, enquanto ela não pode terminar esta relação desesperada e perigosa. A película holandesa foi premiada no Locarno International Film Festival e no Nederlands Film Festival.

23 de maio de 2018

Política da Editora

Foto: Sebá Neto

A peça "Política da Editora", de Eduardo Aleixo, estreia no dia 1º de junho na SP Escola de Teatro Roosevelt, com direção de Cintia Alves. O texto venceu o Concurso Jovens Dramaturgos do Sesc e discute as relações de poder entre o artista e o mercado. 

No texto carregado de ironia, um escritor luta para ter seu livro integrando o catálogo de uma grande editora. Escritor, Editor, Revisora e Tradutora entram em conflito em uma sala de reuniões. Pouco a pouco, são revelados os mecanismos de poder que permeiam as relações entre arte e mercado, convertendo uma obra em fetiche de mercadoria.

Para contar essa história, Cintia Alves buscou referências modernistas. “A ideia que norteia todos os elementos estéticos da peça é provocar um estranhamento, assim como uma dialética do entendimento, não só entre texto e subtexto, mas também entre uma dramaturgia realista e uma encenação expressionista”, conta.  

Escrita em 2015, a peça também recebeu menção honrosa no Programa Nascente da USP e obteve o segundo lugar no Prêmio Martins Pena da União Brasileira de Escritores. “O texto é sobre escrever, publicar e ler. A ideia é inserir o público nessa cadeia produtiva, para que ele se aproprie dela. Terminar de escrever um livro muitas vezes não é o fim, mas o começo da jornada. O percurso da obra de arte até chegar ao público pode ser tão intrigante quanto as trajetórias de Josef K. ou Bartleby”, comenta o autor do espetáculo.   

A peça cumpre temporada até o dia 2 de julho, com sessões às sextas-feiras, aos sábados e às segundas, às 21h; e aos domingos, às 19h. O SP Escola de Teatro fica na Praça Roosevelt, 210 - SP.

22 de maio de 2018

O Rei da Vela

Foto: Luiz Doro Neto

Parlapatões reestreia montagem festiva de "O Rei da Vela" na Praça Roosevelt no dia 26 de maio. O espetáculo tem adaptação de Hugo Possolo e direção musical de Fernanda Maia. A reestreia acontece no Espaço Parlapatões, entre 26 de maio e 15 de julho, com sessões às sextas e sábados, às 21h, e aos domingos, às 19h.

A encenação enfatiza o caráter burlesco e festivo da obra, em clima de cabaré abrasileirado, com forte influência das linguagens do Teatro de Revista, do Circo e do Teatro Épico de Bertolt Brecht. “O Rei da Vela é também um projeto de encenação que recoloca o grupo diante da sua expressividade popular e cria um circo-teatro provocativo, desprendido do melodrama, para se lançar sobre um caráter épico que busca a festa e alegria como prova dos nove”, explica o diretor.

O espetáculo narra a saga de Abelardo I, um agiota inescrupuloso que ganhou muito dinheiro em vários segmentos, sobretudo comerciando velas em um país atrasado, onde a energia elétrica ficou tão cara que a população já não consegue mais pagar por ela. Ao lado de seu empregado-pupilo Abelardo II, ele se aproveita da crise econômica para emprestar dinheiro, com juros altíssimos, para o povo faminto.

“A trama consegue traçar mais do que uma linha de tempo da transformação da sociedade brasileira no início do século passado – de um Brasil medieval e colonizado para um país urbano, dominado pelo capitalismo e pretensamente liberto. Ela perfaz um arco dramático que escancara as intenções sociais e políticas das personagens que percorrem os três atos da peça para revelar os meandros da alma humana submetida aos jogos de dominação do poder”, acrescenta Possolo.

O Espaço Parlapatões fica na Praça Roosevelt, 158 - SP.

21 de maio de 2018

Cinema e Literatura no Brasil - Os mitos do sertão: emergência de uma identidade nacional


A leitura de "Cinema e Literatura no Brasil - Os mitos do sertão: emergência de uma identidade nacional" é clara e esclarecedora. O trabalho de pesquisa é vasto e, diria, impecável. A autora, Sylvie Debs, se apoia em eixos fundamentais para desvendar o tema proposto nessa investigação. Para os amantes do cinema e literatura o livro é um presente que norteia toda uma cultura. Não só pelo conteúdo apresentado, mas pela preciosa análise a apuração. Uma ajuda aos amadores do cinema e da literatura brasileira. A tese de Sylvie Debs passou por percursos difíceis pela consequência inevitável das carências acumuladas da desertificação ou obsolênscia das bibliotecas e fundos documentais.

18 de maio de 2018

The Light Between Oceans


A película "The Light Between Oceans" ou "A luz entre oceanos" (2016) é uma película sensível e, ao mesmo tempo, com um drama arrebatador. A trama é repleta de reviravoltas com um conflito profundo e denso, mas recheado de cenas delicadas, eternizando a película. Os textos são verdadeiras poesias e de uma profundidade singular em suas entrelinhas. A fotografia é belíssima. E, também, não podemos deixar de notar as excelentes atuações de Alicia Vikander e Michael Fassbender, bem como a impecável direção de Derek Cianfrance. Na narrativa que acontece na Austrália, após a Primeira Guerra Mundial, Tom Sherbourne (Michael Fassbender) é um veterano da guerra contratado para trabalhar em um farol, que orienta os navios exatamente na divisão entre os oceanos Pacífico e Índico. Trata-se de uma vida solitária, já que não há outras casas na ilha. Logo ao chegar Tom é apresentado a Isabel Graysmark (Alicia Vikander), com quem logo se casa. O jovem casal rapidamente tenta engravidar, mas Isabel enfrenta problemas e perde dois bebês - o que, inevitavelmente, provoca traumas. Até que, um dia, surge na ilha em que vivem um barco à deriva, contendo o corpo de um homem e um bebê. Tom deseja avisar as autoridades do ocorrido, mas é convencido por Isabel para que enterrem o falecido e passem a cuidar da criança como se fosse sua filha, já que ninguém sabia que ela tinha tido um aborto. Mesmo reticente, Tom concorda com a proposta. Algumas curiosidades: o filme foi rodado na Tasmânia. Este é o primeiro filme do diretor que não é roteirizado a partir de um argumento original, ele é uma adaptação de um livro com o mesmo codinome. E, por fim, mas não menos importante, os moradores da cidade onde o longa foi filmado receberam roupas especiais dos anos 20 para se caracterizassem e poderem trabalhar como figurantes. Um luxo!

17 de maio de 2018

O PORTO - Experimento Público Nº 1

Foto: Leekyung Kim

Durante 24 horas o ator Laerte Késsimos compartilha com o público episódios da vida do artista plástico cearense José Leonilson (1957-1993) e de sua própria trajetória em um ateliê-vitrine instalado ao lado do Teatro Municipal de São Paulo.
Esta é a proposta da performance "O PORTO - Experimento Público Nº1", com orientação e dramaturgia de Leonardo Moreira, que acontece durante a Virada Cultural 2018.
O ateliê-vitrine estará instalado na rua, em um contêiner com uma parede de vidro, onde os espectadores entram, um por vez, e sentam-se em uma cadeira diante do artista. Neste ateliê-abrigo Laerte simboliza a figura de um porto (como se recebesse navegantes e viajantes), uma pessoa diante de outra pessoa, apenas uma conversa. Ele conta ao visitante um fragmento da biografia de Leonilson e um episódio da própria história. O performer completou este ano 36 anos, a mesma idade em que Leonilson morreu, em 1993 vítima da AIDS.
Depois de passar pela experiência, a pessoa é convidada a deixar seu nome e uma palavra como troca de afeto com o artista, que a borda o nome e esta palavra em um tecido que será usado para construir uma espécie de manto-cobertor, criado com materiais de costura – linhas, agulhas, alfinetes, tesoura, etc – dispostos em cima da mesa. Uma câmera de vídeo capta o trabalho do artista na criação do manto  e projeta as imagens ao fundo do contêiner.
O pedaço de tecido bordado é costurado em outro pedaço logo após cada encontro, como se uma história se ligasse à outra. Ao final das 20 primeiras horas da performance, o artista terá criado uma tela-cobertor, que servirá para cobri-lo em seu sono durante as quatro horas restantes, diante do público.
A performance explora o encontro com o espectador, a ideia do performer como porto ou abrigo e a criação de uma tela cobertor para discutir a hospitalidade, tema tão contemporâneo quanto ambíguo.
Uma das referências para o trabalho é a obra “O que você desejar, o que você quiser, estou aqui, pronto para servi-lo”, de 1991 (bordado s/voile, 132 x 42,5 cm), na qual Leonilson borda essa frase na barra de um vestido branco de noiva. A própria imagem do vestido já existe repleta de significados: romance, desejo, sonho, servidão. A frase entra como se estivesse ferindo o tecido – frágil e singelo – para lhe dar outro significado.
O ateliê-vitrine ficará disponível na Praça Ramos, 209 - ao lado do Teatro Municipal de São Paulo - das 18h do dia 19 de maio às 18h do dia 20.

16 de maio de 2018

Bagagem

Foto: Teresa Lopes Silva

O ator Marcio Ballas, que pesquisa há 20 anos as linguagens do palhaço e da improvisação teatral, conta ao público alguns episódios que marcaram a sua infância no espetáculo "Bagagem". A peça estreia no dia 18 de maio no Teatro Eva Herz com sessões às quintas e sextas-feiras, às 21h.
Na narrativa, filho de imigrantes judeus egípcios, Ballas resgata, a partir de suas lembranças de infância, parte importante da história de sua família. O resultado disto é um espetáculo divertido e singelo, que mescla poesia com boas doses de humor e improvisação, além de aproveitar uma das grandes qualidades do ator: a sua capacidade de se relacionar com a plateia, trazendo o espectador literalmente para dentro da cena.
Segundo o ator, a ideia de contar ao público as histórias de sua família surgiu em um jantar. "Em uma sexta feira, fui comer na casa da minha mãe. Na sobremesa, tinham vários doces incríveis e um pequeno cacho de bananas. Brinquei dizendo que ninguém escolheria a fruta. Ela disse: ‘Não fale assim. Um dia, isso foi o meu almoço’. Eu achei que ela estava brincando, mas ela contou que quando chegaram refugiados do Egito, não tinham dinheiro para comida. Então, por várias vezes, almoçaram bananas! Nesse dia, pensei: quero compartilhar as histórias da minha família em um espetáculo", explica Ballas.
O espetáculo fica em cartaz até o dia 27 de julho no Teatro Eva Herz – Livraria Cultura do Conjunto Nacional – Av. Paulista, 2073 - SP.

15 de maio de 2018

Eu sou essa outra

Foto Camila Cornelsen

Escrito por Carla Kinzo e dirigido por Vera Egito, o espetáculo "Eu sou essa outra" parte da vida da atriz Liv Ullmann, rememorada no livro autobiográfico “Mutações”, para tratar dos muitos papéis vividos por uma mulher em seus processos pessoais, profissionais, artísticos.  "Eu sou essa outra" estreia no Sesc Pinheiros no dia 17 de maio com sessões de quinta a domingo, às 20h30.
Com uma carreira já consolidada no audiovisual, Vera Egito marca sua estreia nos palcos nesta peça. “A direção teatral é nova para mim, mas o amor pelo teatro é mais antigo. O texto da Carla Kinzo foi essencial para que eu aceitasse o convite. A abordagem que ela faz aos temas propostos por Liv Ullmann em suas memórias é tão bonita, tão inteligente e singela ao mesmo tempo”, comenta Vera.
Carreira, maternidade, autoimagem, relacionamentos são temas do espetáculo, que, em sua dramaturgia, também conjuga elementos de “Casa de bonecas”, do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen, texto que Liv montou em diversos momentos em sua vida, e “Persona”, o primeiro filme que a atriz fez com o cineasta sueco Ingmar Bergman.
O Sesc Pinheiros fica na Rua Paes Leme, 195 - SP.

14 de maio de 2018

Vocês que me habitam

Foto: Rafael Ianni

O espetáculo "Vocês Que Me Habitam", de Gustavo Colombini e Erica Montanheiro, ganha nova temporada no Teatro de Contêiner a partir de hoje. Com elenco formado pelas atrizes Ana Elisa Mattos e Joyce Roma, a peça cria reflexão sobre memória, relações familiares e violências contra a mulher. A peça fica em cartaz até o dia 5 de junho. Na sinopse, em um consultório, o encontro de uma mulher e uma médica se torna o disparador da revelação de situações limite. Suas memórias emergem, trazendo à tona relações familiares e desejos de liberdade frente às regras de uma sociedade patriarcal.

Pensando na construção cênica (e desconstrução dos fatos sombrios), Erica Montanheiro optou por uma linguagem que pudesse gerar uma aproximação imediata com o público. Assim, na encenação, ela utiliza elementos do Melodrama. O corpo como disparador de situações, a imagem corporal como suporte para os estados que as atrizes devem acessar, a sustentação da emoção e a suspensão dos tempos melodramáticos são elementos que servem como estrutura para a composição das cenas.
O Teatro de Conteiner fica na Rua dos Gusmões, 43 - SP. As apresentações acontecem todas às segundas e terças-feiras, sempre às 21h.

11 de maio de 2018

Custody


A película americana "Custody" ou "Sob Custódia" (2016) tem uma história bem estruturada com personagens interessantes em tramas interligadas. Há emoção e identificação da audiência no drama. Atente-se a boa direção. Na narrativa, uma emblemática juíza do tribunal de família com um casamento atormentado. Uma recém-graduada em direito que resolve trabalhar em um caso de custódia. E uma mãe solteira, no centro da ação, que corre o risco de perder seus dois filhos. As vidas dessas três mulheres são inesperadamente mudadas quando se cruzam na corte da família em Nova York. 

10 de maio de 2018

Loving


O premiado "Loving"(2016) tem personagens interessantes com belas interpretações de Joel Edgerton e Ruth Negga. O filme é de pouco diálogos, mas é tão expressivo e emocionante que faz a audiência se identificar rapidamente com a história e personagens. O silêncio e os olhos expressivos deixam qualquer drama à base de gritos no limbo. O roteiro, a direção e a fotografia são excelentes. Na narrativa, Richard (Joel Edgerton) e Mildred Loving (Ruth Negga), um casal interracial, são presos em junho de 1958 por terem se casado. Jogados na prisão e exilados do estado onde viviam, eles lutam pelo matrimônio e pelo direito de voltar para casa como uma família.

9 de maio de 2018

Coisas Estranhas Acontecem Nesta Casa

Foto: Lúcio Telles

A comédia "Coisas Estranhas Acontecem Nesta Casa", do jovem dramaturgo Pablo Diego Garcia, ganha uma nova temporada no Teatro Jaraguá, entre 16 de maio e 16 de agosto, com sessões às quartas e quintas-feiras, às 21h. A peça tem direção geral de Marcio Macena, co-direção de Marisa Orth e elenco formado pelo próprio Garcia, Bruno Sperança, Deo Patricio, Daniel Aguiar e Almir Martins.
Recheado de situações absurdas e hilárias, o espetáculo revela a reunião de cinco figuras excêntricas presas em uma mansão assombrada por segredos de um barão morto misteriosamente. A ideia é criar uma divertida reflexão sobre a diversidade, a família que podemos escolher, os monstros que precisamos enfrentar para sobreviver e os problemas que devemos enterrar no nosso jardim.
Nesse casarão, localizado na serra de Campos do Jordão, vivem Fleury, Kleber e Alfredo, homens dramáticos, afeminados e falidos, que se odeiam. Para sair da pindaíba, eles tentam preparar um jantar delicioso para a socialite Marcela Vitanozzi, que está interessada em contratar o costureiro sem talento Alfredo.
As coisas começam a dar errado quando o velho Fleury, que está perdendo a memória, esquece a panela de pressão no forno e explode o jantar. Durante a refeição, a socialite acaba morrendo misteriosamente e eles tentam desesperadamente enterrar seu corpo no jardim, quando são surpreendidos pela visita de um jornalista interessado em entrevistar a defunta. Eles precisam fazer de tudo para mostrar ao repórter que a falecida continua viva. Muitos segredos serão revelados, uma fortuna em dinheiro estará em jogo e coisas estranhas acontecem pela casa.
O Teatro Jaraguá fica na Rua Martins Fontes, 71- SP.

8 de maio de 2018

A Profissão da Sra. Warren

Foto: Ronaldo Gutierrez

Com diálogos ácidos e brilhantes, a tragicomédia "A Profissão da Sra. Warren", do irlandês Bernard Shaw, considerado um dos maiores dramaturgos de língua inglesa ganha uma nova encenação com direção de Marco Antônio Pâmio e tradução da atriz Clara Carvalho. O espetáculo estreia no Auditório MASP, no dia 11 de maio, e segue em cartaz até 1º de julho, com sessões às sextas e aos sábados, às 21h, e aos domingos, às 20h.
A trama começa em uma casa de campo em Surrey, que a jovem e inteligente Vivie Warren (Karen Coelho) alugou para estudar direito. Com apenas 22 anos, a menina foi criada longe de casa e estudou nos melhores colégios e frequenta a Universidade de Cambridge. Por isso, ela não conviveu com a mãe, Sra Warren (Clara Carvalho).
Neste lugar, Vivie recebe a visita de amigos da mãe que não conhecia, como o arquiteto Praed (Mário Borges), um tipo romântico e esteta; o jovem de moral duvidosa Frank Gardner (Caetano O’Maihlan), que logo se enamora da moça; o barão milionário Sir. George Crofts (Sergio Mastropasqua); e o reverendo Samuel Gardner (Cláudio Curi), pai de Frank, o mais velho conhecido da Sra. Warren, cujo passado esconde uma chocante revelação.
Entre discussões fervorosas e bem-humoradas sobre o enriquecimento, a hipocrisia social e os paradoxos morais, a filha descobre que sua educação refinada foi financiada por uma rede internacional de bordéis comandada pela Sra. Warren. A mãe entrou para essa vida por necessidade, mas, no final das contas, torna-se uma bem-sucedida empresária do ramo e trabalha por puro prazer.
Escrita entre 1893 e 1894, “A Profissão da Sra. Warren” foi proibida de ser encenada na Inglaterra e nos Estados Unidos no começo do Século 20. “A peça tem um caráter transgressor, com discussões muito à frente de seu tempo, principalmente no que tange ao papel da mulher na sociedade. Shaw nos fala do hoje tão discutido ‘empoderamento feminino’ quando esse tipo de debate era impensável na época. Ele nos fala de ‘uma nova mulher’: independente, ‘dona do seu nariz’, com opinião e personalidade próprias. Na época da peça, as mulheres sequer podiam votar”, comenta Pâmio.
O Auditório MASP fica na Avenida Paulista, 1578 - SP.

7 de maio de 2018

Fale Mais Sobre Isso

Foto: Lila Batista

Desembarca no Rio de Janeiro o monólogo cômico "Fale Mais Sobre Isso", depois de seis temporadas esgotadas em São Paulo. A peça entra em cartaz no Rio de Janeiro entre 7 de maio e 25 de junho, no Teatro dos 4, no Shopping da Gávea, com sessões às segundas-feiras, sempre às 20h. Dirigido por Pedro Garrafa, o espetáculo é o primeiro texto teatral escrito por Flávia Garrafa. A peça discute com muito humor a capacidade e o desejo de mudança das pessoas que procuram a psicoterapia. Em cena, uma psicóloga conhece as angústias, dúvidas, questionamento e desconforto de quatro pacientes.
A terapeuta Laura está na faixa dos quarenta anos e, como a maioria das mulheres, divide seu tempo entre cuidar da família e da carreira. Sob a ótica dessa figura, a plateia acompanha o atendimento do Sr. B, um jovem de cerca de 30 anos que tem a organização e a metodologia como lemas de vida; da Sr. C, que foi trocada por uma mulher mais jovem e, ao invés de sentir tristeza, fica feliz e sente-se culpada por isso; do Sr. D, que acredita ser Deus; e de Alice, uma senhorinha doce de 78 anos que nunca conseguiu falar o que realmente sente.
“Os pacientes são inspirados na vida real, mas não em uma experiência minha como psicóloga ou de qualquer outra pessoa. Eu pensei em como seriam essas pessoas no psicólogo. Acho que são tipos muito comuns que se comportariam de maneira muito peculiar em um consultório e dariam muito material para o terapeuta. É muito importante que os casos não se resolvam todos, porque a psicologia não é magia, não é conto de fadas. É a vida real, e, como em qualquer outra profissão das saúde, às vezes os problemas não têm solução”, explica Flávia.
Teatro dos 4 - Shopping da Gávea fica na Rua Marquês de São Vicente, 54 - RJ. 

4 de maio de 2018

The Infiltrator


Com um roteiro bem estruturado, "The Infiltrator" ou "Conexão Escobar" (2016) tem uma história instigante e que envolve a audiência do inicio ao fim. Há pontos de virada bem definidos e bons diálogos no roteiro. A caracterização é excelente. A trilha sonora é assertiva, adequada ao contexto e época da trama. Na narrativa que acontece na Flórida, em 1985, Robert Mazur (Bryan Cranston) é um oficial da alfândega que recebe a missão de trabalhar infiltrado, com o objetivo de eliminar um cartel de drogas cuja origem está em Pablo Escobar, chefe do tráfico em Medellín. Para tanto ele recebe a ajuda de Emir Abreu (John Leguizamo), seu colega de trabalho, e se apresenta como alguém capaz de lavar o dinheiro gerado pelas drogas nos Estados Unidos. Usando o pseudônimo Robert Musella, ele aos poucos ascende na hierarquia do tráfico, contando ainda com a ajuda da agente Kathy Ertz (Diane Kruger), que se faz passar por sua noiva. Uma curiosidade: Durante uma entrevista para Stephen Colbert, o ator Bryan Cranston foi perguntado se ele acreditava que iria para o Céu. "Não depois do que fizemos em Tampa", foi o que respondeu numa referência ao período de gravações na cidade da Florida.

3 de maio de 2018

Elis


O drama biográfico "Elis" (2016) tem um roteiro com ritmo, contudo e, principalmente, no inicio da narrativa falta emoção. Os fatos parecem jogados para cumprir uma cronologia e a emoção, elemento importante neste tipo de narrativa, é deixada de lado. Andreia Horta é uma revelação singular. Sua atuação é brilhante. Além disso, a produção, caracterização e figurinos são excelentes. A trilha sonora é assertiva. Na trama, cantora desde a infância, Elis Regina Carvalho Costa (Andreia Horta) entra na vida adulta deixando o Rio Grande do Sul para espalhar seu talento pelo Brasil a partir do Rio de Janeiro. Em rápida ascensão, ela logo conquista uma legião de fãs, entre eles o famoso compositor e produtor Ronaldo Bôscoli (Gustavo Machado), com quem acaba se casando. Estrela de TV, polêmica, intensa e briguenta, a "Pimentinha" não tarda a ser reconhecida como a maior voz do Brasil, em carreira marcada por altos e baixos. O longa foi selecionado para a mostra competitiva do Festival de Gramado 2016.

2 de maio de 2018

Nem Princesas Nem Escravas

Foto: Gal Oppido

Estreia em 19 de maio, no Teatro Sergio Cardoso, “Nem Princesas Nem Escravas”. O texto, inédito no Brasil, é de Humberto Robles, hoje o dramaturgo mexicano vivo mais montado em todo o mundo. Com tradução e direção geral de Cacá Rosset e produção de Christiane Tricerri (que também está no elenco), a montagem, que foi contemplada pela 6ª Edição do Prêmio Zé Renato de Teatro para a Cidade de São Paulo, aborda a resiliência e os conflitos femininos. 

Como dramaturgia, o autor propõe um Teatro Cabaré, que vem de encontro com a pesquisa iniciada pelo Teatro do Ornitorrinco desde o início de sua formação, em 1977. Com três atrizes, performers, cantoras e dançarinas, a peça traz uma espécie de monólogos que se entrecruzam durante o decorrer do espetáculo, com cenografia, figurinos e músicas que dialogam com o cabaré alemão no sentido mais rigoroso e ao mesmo tempo popular da sua essência.

Sobre a escolha deste espetáculo, Rosset diz que, embora o autor tenha uma peça chamada “El Ornitorrinco”, ele se encantou por “Nem Princesas Nem Escravas”. Segundo o diretor, “o texto me captou pelo humor cáustico e farsesco e pela pegada, pois consegue ter um equilíbrio entre política, provocação e cinismo ao levar ao palco três mulheres em situações por vezes convencionais, por vezes adversas e que têm uma guinada em suas vidas. Além disso, é uma comédia rasgada, uma crítica social que permite o envolvimento direto com o público e, ainda, contribuir para que os espectadores tenham a experiência de contato e formação com esse universo do gênero Cabaré, um teatro político e dialético”, diz.

O Teatro Sérgio Cardoso fica na Rua Rui Barbosa, 153 - SP. A Temporada acontece de 19 de maio a 9 de julho, aos sábados, às 19h30; domingos, às 16h; e às segundas, às 20h.

1 de maio de 2018

Fedra

Foto: Edson Kumasaka

A versão clássica do autor francês Jean Racine (1639-1699) para a tragédia grega "Fedra", escrita originalmente por Eurípides, ganha uma nova encenação com direção de Roberto Alvim. O espetáculo estreia em 4 de maio no teatro do Sesc Pompéia.
A tragédia é o mito da insurreição feminina contra o poder e as regras sociais. Na trama, Fedra (interpretada por Juliana Galdino, vencedora do Prêmio Shell de melhor atriz por “Medéia”) é casada com o rei Teseu. Ela se apaixona por Hipólito, filho de seu marido. Quando Teseu é declarado morto na guerra, Fedra cria coragem e declara seu amor por seu enteado. Mas Teseu retorna e, ao descobrir a paixão incestuosa de sua esposa por seu filho, precipita uma série de eventos que conduzem o reino à catástrofe.
Obra suprema do espírito humano, "Fedra" é a tragédia que brota de nosso medo mais terrível: o de nos apaixonarmos por aquilo que a sociedade, com sua leis e regras, não nos permite. A peça propõe uma discussão sobre a sexualidade feminina e sua dissonância em relação aos papéis sociais de mãe, esposa, cidadã, etc.
O texto de Racine, escrito na França em 1677, imortalizou-se na História do Teatro, tendo sido encenado por alguns dos maiores diretores contemporâneos. A grande montagem brasileira foi realizada por Augusto Boal e protagonizada por Fernanda Montenegro em 1986.
Sesc Pompéia fica na Rua Clélia, 93 - SP. A temporada acontece de 4 a 27 de maio, de quinta a sábado, às 21h, e aos domingos, às 18h.